Angola está a intensificar os esforços para captar financiamento externo de grande escala nos sectores dos hidrocarbonetos, infra-estruturas e recursos minerais.
Yvonne Ike, directora-geral e responsável pela África Subsariana no Bank of America, irá intervir na conferência e exposição Angola Oil and Gas (AOG), que decorrerá de 9 a 10 de Setembro em Luanda.
Conforme apurado, a sua participação sublinha o papel crescente da instituição na ligação dos mercados africanos aos mercados globais de capitais e no apoio ao investimento estratégico em todo o continente.
A estratégia do Bank of America para África — liderada por Yvonne Ike — assenta na facilitação de fluxos de investimento de grande dimensão, na redução do risco associado a projectos e na prestação de consultoria em financiamento soberano e empresarial.
O banco identificou oportunidades prioritárias na África Ocidental e Subsariana, com destaque para os sectores de infra-estruturas, energia e minerais críticos — áreas que coincidem directamente com a agenda de investimento de Angola para 2026.
No domínio do petróleo e gás, o país atravessa uma nova fase impulsionada por preços elevados do crude e por reformas estruturais em curso. Segundo o Bank of America Global Research, Angola e a Nigéria estão posicionadas para beneficiar de condições fiscais mais favoráveis, sustentadas por maiores receitas de exportação e por mudanças políticas como a reforma dos subsídios.
Angola tem como meta atrair até 70 mil milhões de dólares em investimento para sustentar a produção, ampliar a exploração e acelerar a monetização do gás, reafirmando-se como destino prioritário para a alocação de capital, mesmo num contexto de volatilidade nos mercados emergentes.
Entre os projectos âncora desta estratégia destacam-se a Refinaria de Lobito e os desenvolvimentos a jusante no sector do gás, a par de investimentos paralelos em transportes e logística.
O Corredor do Lobito, em particular, posiciona Angola como plataforma estratégica para a exportação de minerais essenciais provenientes da África Central para os mercados globais, reforçando a crescente interligação entre energia, infra-estruturas e finanças.
A aposta na diversificação económica completa o quadro: Angola está igualmente a acelerar investimentos em energias renováveis, reconhecendo que a transição energética e o desenvolvimento de infra-estruturas são vectores complementares — e não alternativos — ao crescimento do sector dos hidrocarbonetos.


