Matérias-primas como o cacau, o ouro e a prata estão cada vez mais caros, tornando os presentes típicos desta época, os bombons e as joias, ainda mais dispendiosos. A não ser que troque o ouro por diamantes, cujo valor está em queda, segundo a análise da XTB.
Festeja-se hoje, o dia mais romântico do ano, o Dia de São Valentim, ou conhecido normalmente apenas como o Dia dos Namorados. Esta é uma época, tal como muitas outras, aproveitada pelas empresas para gerar mais negócio, pelo que são estimuladas as ofertas alusivas a este dia.
Entre as mais comuns estão os bombons de chocolate, produtos em formas de coração, flores e joias em ouro ou prata.
No entanto, segundo a análise da XTB, plataforma de investimento online, este dia entrará para a história como uma das celebrações românticas mais dispendiosas da década. “Ao alto custo dos doces e do café, soma-se agora uma alta extrema nos preços do ouro e da prata, os principais componentes da maioria das joias”, pode ler-se no estudo.
Olhando para o caso do cacau, este é um produto que bateu recordes de preço nos últimos anos, tendo ultrapassado a barreira dos 10 mil dólares por tonelada em 2024 e atingindo até um pico de 12 mil dólares.
Esta matéria-prima ficou seis vezes mais cara face ao valor mínimo de 2020. Actualmente os preços da tonelada já estabilizaram nos mercados, mas os preços do chocolate nas prateleiras mantêm-se elevados, já que muitos chocolateiros estão ainda a trabalhar com cacau comprado no pico do seu valor, uma vez que o mercado sentiu também um arrefecimento no consumo final.
Oferecer joias sempre foi sinal de amor, mas este ano, para oferecer ouro ou prata, terá de investir um pouco mais.
Durante o ano passado, o ouro atingiu os 3 mil dólares por onça (31,1 gramas) mas actualmente está na ordem dos 5 mil dólares. Isto está a encarecer, quase semanalmente, as joias que incorporam este metal.
Também a prata está a registar recordes de valorização. Segundo os analistas da XTB, em fevereiro de 2025 uma onça custava pouco mais de 30 dólares, e agora oscila em torno de 90 dólares (75,9 euros), o que representa um aumento de 200% em apenas um ano.
Em janeiro deste ano este metal alcançou brevemente os 120 dólares o que indica que o pico do valor da prata já foi atingido.
No entanto, e apesar destas valorizações, a XTB refere que os preços das joias no retalho não dispararam tão drasticamente quanto o ouro bruto. Isto acontece porque a pureza de ouro mais popular na Europa é de 14 quilates (585), ou seja, indica que uma peça apenas contém 58,5% de ouro puro sendo o restante composto por ligas mais baratas, como cobre ou zinco.
Como o metal precioso é apenas um componente do produto acabado, os preços das joias aumentaram de forma mais modesta, entre os 20% e os 30%, ao longo do último ano.
Curiosamente, aumenta o preço do ouro e da prata, mas cai o valor dos diamantes. Isto é consequência de uma estratégia de mercado, que aposta nos diamantes cultivados em laboratório, os LGD. A produção sintética de diamantes tornou-se tão eficiente que os preços caíram cerca de 80% nos últimos anos, havendo quem prefira pagar menos por pedras similares. Grandes grupos produtores desta pedra preciosa, como a De Beers, foram forçados a baixar os seus preços, para se manterem competitivos.
No fundo, os diamantes deixam assim de ser um bom investimento, já que os mais comuns e de menor dimensão, que são os mais utilizados na joalharia, desvalorizam mais rapidamente do que um carro de luxo. Porém, por outro lado, ainda assim se mantêm como um bom presente para o Dia dos Namorados, já que estão em valores mais acessíveis.
Fonte: Forbes


